Contos



A Nudez da Amiga


Pensava que iria se inibir tipo sou-tão-inexperiente. Nada. Apaguei a luz da suíte Duas-estrelas do New York New York e éramos só nós, eu e Aleide, nenhum homem a dez mil milhas-luz de distância.
Ludwig que me arranjou Aleide. São colegas de trabalho. Ele lhe deu carona, ela se queixando de noivado rompido, traições, coisas essas. Disse meio-a-brincar que, agora em diante, só com outra mulher. E meu marido disse meio-sério que ela podia ter uma experiência com sua linda (!) esposa. Que não tinha problemas quanto a isso, muito menos ele, liberais. E só nós, ele fora do caminho.
Conhecia Aleide só de vista, os cabelos alourados a formar caracóis nas pontas, a cintura não magérrima mas bem ajeitadinha. E confesso com risco de parecer cafajeste que fiquei entusiasmadíssima com a possibilidade de fazer amor com a amiga de meu marido. Meu marido me aconselhou prudência mas joguei a dita cuja de lado. Liguei para Aleide e convidei-a para vitrinar num Shopping, sábado à tarde. Meu coração pulou duas batidas. Ela topou.
Pensava em negociações mais complicadas que tratado para melhorar o aquecimento global. Nada. Vitrinamos um pouquinho, cada vez mais juntas, nossas mãos roçando e eu sentindo faísca. Aleide sabia o que queria. Uma das conversas mais sexies da minha vida tivemos numa mesinha redonda da praça de alimentação, cercados de adolescentes nas mesas em volta, nós falando baixo e loucas para nos beijar e eu a querer adivinhar os lindos bicos que transpareciam na blusa amarelo-enjôo. Queria experiência. Só. Podia ser que um mês depois estivesse encangada com outro noivo. Mas queria uma experiência com outra mulher, saber como era. Marcamos.
Os minutos viraram tartarugas mas chegou o dia. Voltei aos tempos de solteira. Sair, escolher a roupa, escolher perfumes e calcinhas, sabendo que algo sairá daquilo. Eu que fui pegá-la. Meu coração deu pulo quando desceu do prédio ao lado da praça Melquita. Linda com sua calça comprida branca e sua blusa fininha idem. Talvez pensasse que uma mulher que transa com outra não deve ser muito feminina. Bobagem. Mas Aleide estava linda de homenzinho. Trocamos os dois beijinhos tradicionais, ou não, pois o segundo já foi um beijinho meio-de-língua, a minha e a dela roçando. Tive de me conter para não querer voar para o motel com velocidade de fórmula um.
A bobona da portaria duplicou os olhos de tamanho quando viu que éramos duas. Aleide riu. Eu me surpreendia, frescura zero, carnalidade cem.
Que subiu para duzentos quando a jovem mulher saiu do banho. Cravou olhos nos meus e desfez o nó da toalha, que revelou o nada que trazia por baixo, um corpo estourando de feminilidade, os quadris largos, bem-mulher, e como atração principal uma tira de pelos acastanhados de três centímetros exatos de largura. Meu lado mulher-que-gosta-de-mulher deu um pulo. Atirei-me, queria comer aquela garota literalmente, a dentadas.
Aleide pôs duas cadeiras uma em frente à  outra. Sentou-me numa, apagou a luz, sentou na outra. Percebi que era sonho antigo, que ela fantasiara nos detalhes todos. Suas mãos me afastaram as coxas, fiquei por completo exposta, sentindo o friozinho do ar condicionado onde sou mais mulher. Nossos joelhos se tocaram e senti que minha amiga também abrira as pernas. Entendi o jogo. Eu logo sentia na minha língua o gosto de seu batom cereja. E senti choque quando suas mãos quentes tocaram o interior a meio das minhas coxas. E levando dois milênios para chegar ao ponto exato. Eu ansiosa não pude esperar tanto. Minhas mãos sentiam logo os pelos ásperos da amiga, sua maravilhosa fenda campeã de umidade. Eu fazia o que sonhara.
Aleide também acariciava a minha. Tive pena quando a senti parar, mas entendi quando ouvi o ruído quase inexistente de uma embalagem de camisinha a ser partida com os dentes
- Posso? – disse ela.
Nervosa como adolescente nem respondi e Aleide com o seu maravilhoso dedo médio protegido encontrou seu caminho. A primeira metade entrou muito calma e o resto também. Eu sentia os movimentos da fêmea em meu corpo e apertava sua cintura, eu queria aquela mulher para sempre, que não terminasse nunca.
Ela me deixou curtir. Perguntou quase tímida:
- Faz também em mim?
Cruzei os dedos, feliz. Agora era a minha vez.