quinta-feira, 28 de julho de 2011

Larissa aos pedaços...



Carregávamos metade de uma tonelada cada uma de livros de macroeconomia debaixo dos pilotis. Ela dizia:
- Toda mulher gosta de mulher, apenas por uma questão de grana acabam casando com um bigode.
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Não sei se dizia para chocar. Talvez sim. Esperávamos o 170 e ela me disse:
- Acho linda essa palavra, lés-bi-ca, llllés… rola na língua.
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Eu vivia fase complicada, aliás ambas. Vindas de longe, ela bem do Sul, eu bem do Norte, para destruir parte dos nossos vinte poucos (caso dela) e dos meus quase-trinta (caso meu) para fazer um mestrado. Gostei do nome dela, Larissa. Tinha jeitão de nome russo, coisa ousada. Eu disse que achava meu nome bobinho, Cristiana, nome de virgem eterna.
- É bobinho mesmo, disse e riu. Quis puxar-lhe os cabelos e rasgar cada centímetro dos seus bustiês e saiasjeans.
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Larissa me divertia. Um refrigério para quem vem de longe com 453 livros para estudar.
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Era complicado ficarmos juntas. Eu morava com prima e marido dela e filhos e etc. Ela tinha um quartinho num alojamento de freiras, pago. As freiras eram moralistas. Proibiam visitas masculinas nos quartos. Quanto a visitas femininas, podiam derramar-se por horas.
- Elas nuuunca imaginam o que pode acontecer: “Ai ui Ermengarda, que dedos que você tem!” “Sim Carmencita, que língua maravilhosa, nunca mais vou querer nem pensar em cuecas, ai ui!”
- Vamos estudar Micro, dizia eu na escrivaninha do quarto dela. Prova próxima semana.
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- Vamos ver TV? Ela disse. Pensei: Faustão, tortura. Antes que eu protestasse ela jogou para o espaço a blusa elastex. Os seios de minha amiga e o bico esquerdo um par de milímetros maior que o direito me encheram o mundo por uns dois dias. Ficamos sentadas no chão, costas na cama, vendo o gordo chato do domingo. Nunca me pareceu tão interessante. Tirei minha blusa também.
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Nas tardes-de-estudo juntas passeava de um lado para outro de bermuda tirada, a calcinha-tanga verde de tiras de meio dedo. Um dia escolhi uma vaporosa branca e tirei o short também. Achei que vi o olho dela meio-brilhar, mas fiquei na dúvida.
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Teorias de Larissa: toda mulher teve uma experiência com outra. Não imagina a quantidade de vetustas senhoras em organizações conservadoras que fez um meia-novezinho com a vizinha. Ou no mínimo brincaram de aprender a beijar.
Não foi adiante por razões e-co-nô-mi-cas. Machos ganham mais, dão grana, dão alianças e estabilidade – Oh sociedadezinha capitalista – dizia ela no seu socialismo de araque.
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Comprei três calcinhas, uma cor de rosa, outra cavadíssima lilás e a mais ousada, fio-dental violeta, para decidir. Decidi por nenhuma. Botei a maior, tipo vovó. Achei que nada ia acontecer.
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Estudávamos gráficos de custo, tarde mormacenta de sábado. “Larissa”. “Sim?” “Vou te comer”. A respiração dela virou chumbo.
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Trinta segundos depois nossos seios dançavam, os bicos morenos de Larissa, os meus bem cor de rosa roçando nos pelos da sua coxa
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Um minuto: eu a afastar as coxas da minha coleguinha, a costura da calcinha bem visível. Beijei a costura. Mordeu a mão para não dar uivinho.
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Mais minuto. A calcinha virara um oito no canto do armário. Lambo minha amiga. Ela aperta os lábios para não gritar. Provoco-a, olho no olho: “Larissa, eu me sinto tão lésbica!” “Adoro essa palavra”, ela disse.
Autora: Dell Torres


Fonte: Parada Lésbica

4 comentários:

Anônimo disse...

Adorei esse conto! parece tão verdadeiro. Esse texto ficou envolvente interessante e me prendeu. Perfeito garota!

Kélvia

Anônimo disse...

Amei :)
Há mais?

Helena, pt

Entre Elas disse...

Olá meninas, haverá mais sim! Estive off por um tempo e irei retomar as atividades aqui no blog.
Visitem sempre!
Obrigada.

Emilly Efron disse...

Na booa ameei sz.
Esperoo maais ...
Parabéens pelo blog .
By : Gabi.

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